terça-feira, 1 de março de 2011

Estudo devocional do Salmo 46

São Paulo     19/02/2011

Estudo devocional do Salmo 46

Por: Marcos Andrade[1]



Deus é! Deus está! Deus faz.

INTRODUÇÃO
            A maioria dos leitores das Escrituras conhece o Salmo 46. Quem nunca leu este Salmo? Convido você querido leitor a mergulhar neste Salmo comigo, e ver a profundidade que encontramos nele. Um dos segredos de uma boa exegese de um texto é conhecer o sentido histórico em que o texto foi escrito. Quando sabemos o que se passava quando o texto foi escrito falamos com muito mais propriedade e segurança, trazendo luz e entendimento aos ouvintes.
            Há um consenso entre os estudiosos que este Salmo serviu de inspiração para o hino “Castelo forte é nosso Deus” composto por Martinho Lutero. Há uma possibilidade muito grande que o contexto histórico em que este Salmo foi criado, seja a ocasião em que Deus livrou Jerusalém dos assírios no tempo do rei Ezequias. (2Rs-18 e 19), (2Cr-32) e (Is-36 e 37) será bastante proveitoso ler estes textos para uma melhor compreensão deste Salmo.
            O rei Ezequias era poeta, e é possível que tenha escrito não apenas este Salmo, mas também os Salmos 47 e 48, provavelmente no mesmo contexto histórico, onde a vitória do Senhor é celebrada sobre o inimigo.

            1- Deus é nossa fortaleza: (v.1-3)
            Fortaleza é um substantivo feminino que quer dizer solidez, segurança. Refúgio, no v.1, significa “um abrigo, uma rocha de refúgio”, enquanto essa palavra nos vs.7 e 11 quer dizer “um baluarte, uma torre alta, uma fortaleza”. É isso que Deus estava dizendo para o povo: “quando o inimigo vier, eu serei o vosso abrigo, serei uma rocha”, é como se o povo estivesse escondido dentro da rocha, num lugar inatingível, os dois termos declaram que Deus é um refúgio confiável para o seu povo. Quando tudo ao seu redor parece estar desmoronando tenha a certeza que sua vida está guardada em Deus e nele você achará refúgio, (Sl-61:3), (Sl-62:7-8), (Sl-142:5). Mas ele não nos protege a fim de nos mimar. Antes abriga-nos a fim de nos fortalecer para que voltemos à vida com suas responsabilidades e perigos.
            A palavra tribulações refere-se a pessoas em lugares apertados, encurralados num canto e incapazes de sair dessa situação. Veja a estratégia maligna dos exércitos assírios, eles queriam encurralar o povo de Deus, deixá-los sem recursos e sem saída, talvez você se encontre nessa mesma situação, em que o inimigo quer te encurralar, lhe deixar a mercê de seus ataques. Mas a palavra de Deus para estas situações é “não tema”. Quando os oficiais assírios ameaçaram Jerusalém, Isaías disse ao rei, não temas por causa das palavras que ouviste (2Cr-19:6). Esta é a palavra de Deus para você, talvez você não veja o livramento, tudo parece perdido, o inimigo se agiganta, mas ouça a palavra de Deus, “Não temas”, a terra pode mudar, as montanhas podem ser arremessadas violentamente no mar, podem vir terremotos e maremotos, mas todas as coisas estão sob o controle do nosso Deus. Ele é nossa fortaleza e nosso refúgio em meio às incertezas da vida.

            2- Deus está no meio: (v.4-7)
            A cena seguinte mostra Jerusalém, onde o povo encontrava-se sitiado pelo exército assírio. A água era um bem precioso na Palestina, especialmente em Jerusalém que era uma das poucas cidades da antiguidade não construída a beira de um rio. Ezequias havia usado de sabedoria e construído um sistema subterrâneo de abastecimento de água que ligava os mananciais de Giom no vale de Cedrom, ao tanque de Siloé dentro da cidade, de modo que havia água disponível (2rs-20:20), (2Cr-32-30). Que fantástico Ezequias estava querendo dizer “ainda que ele – o inimigo – corte nosso suprimento de água” e aí poderia ser caracterizada a derrota do povo de Jerusalém, Ezequias diz: “há um rio, cujas correntes, alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo”. O poeta sabia que Deus era o seu rio, aquele que supre a água da vida (Sl-36:80), (Sl-65:9), (Sl-87:7), (Jo-7:37-39). No tempo do rei Acaz, Isaías comparou uma invasão dos assírios com um rio transbordante, mas lembrou o povo que seu Deus era como um rio tranqüilo (Siloé) que lhes traria a paz (Is-8:1-10). O v.5 diz “Deus está no meio dela”, ainda que eles estivessem encurralados, sem saída, o Deus eterno está no meio dela. Sem dúvida Jerusalém é uma cidade santa, separada por Deus e que abrigava seu santuário, mas isso não era garantia alguma da vitória (Jr-7:1-8). A fim de que o Senhor os ouvisse e salvasse, o rei e o povo precisavam voltar para o Senhor com atitude de contrição e fé, e foi o que fizeram. Deus socorreu Jerusalém quando o dia amanheceu (v.5b), Deus a ajudará ao romper da manhã. Pois o anjo do Senhor matou 185 mil soldados assírios e mandou Senaqueribe de volta pra casa (Is-37:36).
            3- Deus faz cessar a guerra: (v.8-11)
            A terceira cena mostra os campos ao redor de Jerusalém, em que os soldados assírios estão mortos, suas armas e equipamentos espalhados e quebrados. Não havia ocorrido batalha alguma, mas o anjo do Senhor deixou alguns vestígios, a fim de estimular a fé do povo:
            a) “Ide ver os atos do Senhor, as devastações que fez na terra. Ele acaba com os combates até os confins da terra, ele rompe o arco, quebra a lança, incendeia os carros”. (v.8-9). O Senhor derrotou e desarmou seus inimigos e destruiu suas armas, de modo que não podiam mais atacar.
            b) “Aquietai-vos” quer dizer, literalmente: “não mexam em nada, descansem”. Nós temos o costume de mexer em tudo e dirigir nossa vida a nossa maneira, mas Deus é Deus, enquanto nós não passamos de servos do Senhor. Pelo fato de Ezequias e de seus líderes terem permitido que Deus fosse Deus, ele os livrou de seus inimigos. E foi assim que o rei Ezequias orou “Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o Senhor Deus” (2Rs-19:19).
            O Senhor chama a si mesmo de “Deus de Jacó”, e lembremo-nos como Jacó meteu-se em apuros em várias ocasiões por tentar intervir nas circunstâncias e fazer o papel de Deus. Há um momento certo para obedecer a Deus e agir, mas até que chegue essa hora, devemos o deixar trabalhar livremente, há seu tempo e a seu modo. Em outras palavras, deixe Deus ser Deus em sua vida.
            Nele, que é que está, e que faz tudo para glória dele.        

[1] O autor é bacharel em teologia pelo (ICEC) Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos, além de especialista em escatologia e angelologia pelo Ide Missões.

8 comentários:

  1. A paz amado. Fiquei na dúvida do autor desse texto. È você ou Pr Marcello de Oliveira do site http://www.davarelohim.com.br/salmos-46-deus-e-deus-esta-deus-faz/ . Fique na paz do Senhor.

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  2. Texto muito bom, vou usar como base para um sermão que vou ministrar.
    Deus continue te abençoando!

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    1. Tbm amei muito ! Vou usar tbm como base para daaar uma saudação. Muito forte !!! Que Deuus abençõeee .

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  3. Gostei do texto, também vou usá-lo como base de uma pregação que vou ministrar, no 1º Templo Missionário Universo de Deus em São Gonçalo/RJ.Que Deus lhe abençoe RICA E ABUNDANTEMENTE.

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  4. Muito bom! Pronto pra quando for o momento usá-lo. Obrigado.

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  5. realmente, é riquissímo em detalhes theológico. parabens

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  6. A paz do senhor jesus, aprendi muito com este breve estudo do salmo 46, se possível e DEUS permitir vou usá-lo como base para uma saudação.

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